Com muito misticismo e costumes históricos, esse item do vestuário de casamento é mais que uma simples complementação: é um talismã
Uma das peças mais famosas, e características do vestido de uma noiva, o véu tem muitos significados e também muita história para contar. É quase impossível mensurar quando essa indumentária passou a ser usada pelas noivas, mas uma das correntes mais aceitas sobre a sua origem é de que o véu era um costume da Grécia antiga. Tinha então 3 funções: proteger a noiva do mau olhado das solteiras, dos maus espíritos e de escondê-la dos olhares cobiçosos dos admiradores que não foram eleitos como noivo. Usar o véu de uma mulher feliz no casamento era igualmente costume. Se tivesse parentesco próximo (como mãe ou avó) tanto melhor para garantir a sorte da noiva.
A utilização do véu por mulheres em momentos importantes de suas vidas também está muito associada aos costumes orientais e a Deusa do amor da era pagã, Ishtar, cultuada na antiguidade pelos povos da Babilônia e Mesopotâmia, chegando depois aos gregos. Ela teria sido a primeira representação feminina a usar a peça. Por ser uma divindade também ligada à sedução e fertilidade, não demorou às mulheres mortais “copiarem” o costume para ter os mesmos “poderes”.
O emprego de véus é ainda ligada a Deusa Vesta, da honestidade, que na mitologia greco-romana, era protetora do lar, e portanto, tinha tudo haver com o novo ciclo que se iniciava para a nubente. Nos casamentos romanos ricos, para marcar a data, roupas especiais eram usadas, como o fino véu de linho cor púrpura, o flammeum, que envolvia a noiva vestida de branco. A cor do véu era sinônimo de nobreza naquele período. Mais tarde, já na era cristã, até mesmo a bíblia teria citado o véu das noivas. Na história de Jacó, ele só teria se casado com a irmã de Raquel, Leah por ter sido enganado pelo véu na hora do casamento. Casou-se com uma imaginando que era a outra, e honrou o compromisso assumido, mesmo sem querer.
Aliado da beleza
Na idade média, quando – mais do que nunca – se casar significava unir os interesses de família (ou seja, aumento de posses e terras, e consecutivamente do poder), o véu era mais uma das provas de riquezas da família da noiva. Usado cobrindo a cabeça, na cor branca e bordado com fios dourados, ele simbolizava também a castidade.
Dizem, ainda, que numa época em que os cuidados com aparência e a higiene não eram tão levados em conta, o véu servia como um importante aliado de uma noiva não tão bela, que tivesse, por exemplo, dentes faltando, comuns à “época das trevas”. Mas se essa história é apenas uma lenda maldosa, ninguém sabe dizer. Bem mais nobre, a versão dos árabes diz que a palavra Hijab (véu) significa “aquilo que separa duas coisas”. Assim, para esse povo usar o véu é equivalente a mostrar que a noiva se separa da vida de solteira para entrar numa nova fase, como esposa. O ato simbólico do noivo levantar o véu representaria este momento de deixar para trás uma condição e abraçar esta, com mais responsabilidades.
Após a exuberância pomposa do vestuário francês, caída junto com a Revolução Francesa, os costumes pediam simplicidade, inclusive no vestuário. E quem disse que os véus caíram de moda? Pelo contrário, ficaram ainda mais valorizados. As noivas optavam pelos itens despojados, um retrato de sua pureza de caráter e virgindade. Transparente e preso à cabeça junto com flores de cera ou naturais, esse ornamento passou a ser utilizado em larga escala na Europa. Provém deste tempo a crença de que, depois de realizar a cerimônia, a noiva deveria cortar seu véu em pedaços e distribuí-los entre as amigas solteiras, num gesto de partilhar com elas sua felicidade e lhes desejar a mesma sorte.
Hoje o véu, que carrega todos esses simbolismos seculares, acumula ainda as manifestações de pureza e simplicidade, mas com atitude. Antes ligado à juventude (no começo do século XX as noivas com mais de 25 anos já não podiam usar o véu, pois não eram consideradas tão jovens pela sociedade) hoje, este acessório pode ser utilizado por noivas que se casam pela primeira vez ou não. Atualmente, o véu é o elemento quase obrigatório num traje de noiva.
Véus da vez
Os véus atuais, além de serem práticos – já que na hora da festa podem ser retirados para dar mais conforto – carregam a função de tornar a noiva ainda mais bela. Os redondos harmonizam as feições e os quadrados alongam. Véus curtos com muitas pedrarias e aplicações combinam com noivas arrojadas. Os longos são clássicos entre as noivas tradicionais. Já os véus em cascatas são adequados para casamentos mais informais.
Texto: Mari Carla PolizelloFesta Viva ano I nº8
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